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Dia de intercalares nos Estados Unidos. Eleições podem transformar Trump em presidente "coxo"
O objetivo concreto destas eleições é eleger um novo Congresso, mas o que as intercalares significam é mais profundo. Esta ida a votos dos norte-americanos funciona como um teste para o presidente, porque surgem a meio do mandato e ajudam a definir o rumo político dos Estados Unidos.
O Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando a escolha eleitoral para essa renovação ocorre a meio do mandato presidencial, essas eleições são apelidadas de midterms ou eleições intercalares.
Apesar de os poderes presidenciais permitirem tomar diversas decisões por meio de decretos executivos, muitas medidas têm de ser aprovadas pelo Congresso para entrar em vigor. Se, atualmente, os republicanos, partido de Donald Trump, têm maioria nas duas câmaras do Congresso, isso pode mudar com estas eleições, até porque a vantagem sobre os democratas é pequena.
Para Trump, portanto, é muito mais fácil governar de acordo com sua agenda se os republicanos controlarem as duas câmaras do Congresso, Senado e Câmara dos Representantes.
Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou até mesmo nas duas câmaras, ficará mais difícil para o presidente implementar mudanças tanto na política interna quanto na externa. Por isso, as atenções também estão focadas no dia 4 de novembro, o dia pós-eleições, e o que fará o presidente se os republicanos perderem. Donald Trump tem dado sinais de que poderá contestar os resultados e já deu ordens ao Departamento de Justiça para impugnar a eleição no Alaska se o candidato democrata ganhar.
Se o Partido Democrático, que tem 214 congressistas, conseguir virar a Câmara dos Representantes, o Senado ou ambos, terá na mão o controlo da agenda legislativa. Fica aberto o caminho para combater Trump com maior envergadura, desde logo avançar com investigações para um processo de destituição. Por duas vezes o atual presidente escapou a processos de destituição que nunca passaram no Senado onde é necessária uma maioria de 65 votos. Se acontecer a vitória expressiva dos democratas e a conquista de uma das câmara do Congresso ou de ambas , Trump vai estar, até ao fim do mandato em 2028, no papel de presidente lame duck (literalmente "pato coxo"), incapaz de combater uma maioria hostil no Congresso.
Qualquer que seja o resultado das sondagens, todos os analistas são unânimes em sublinhar que os norte-americanos estão a votar com o bolso. Num dos inquéritos feitos pela agência Associated Press com o centro de sondagens NORC 80 por cento dos eleitores, quer democratas quer republicanos, querem uma redução do custo de vida. Sendo certo que mais de um quarto do eleitorado está descontente com a política económica da Administração Trump.
Qualquer que seja o resultado das sondagens, todos os analistas são unânimes em sublinhar que os norte-americanos estão a votar com o bolso. Num dos inquéritos feitos pela agência Associated Press com o centro de sondagens NORC 80 por cento dos eleitores, quer democratas quer republicanos, querem uma redução do custo de vida. Sendo certo que mais de um quarto do eleitorado está descontente com a política económica da Administração Trump.
Nesse sentido, 70 por cento de quem vota quer o fim da guerra contra o Irão porque se reflete na economia norte-americana, uma vez que provocou o aumento do preço dos combustíveis. Para além da influência do peso que o bolso dos norte-americanos tem nesta votação, surge a exigência de mudança na política da atual administração. Quase 50 por cento dos norte-americanos pretende uma "mudança substancial" na maneira como o país é governado e mais de um terço defende uma mudança radical.
Por um lado, a guerra contra o regime de Teerão é um dos exemplos que contraria a promessa não-intervencionista com que Donald Trump conquistou o eleitorado em matéria de política externa.
Por um lado, a guerra contra o regime de Teerão é um dos exemplos que contraria a promessa não-intervencionista com que Donald Trump conquistou o eleitorado em matéria de política externa.
Por outro lado, o combate de Trump à imigração ilegal tem dominado a política norte-americana no último ano. De acordo com o site norte-americano realclearpolling.com (especializado na agregação de sondagens e dados de opinião pública), mais de 54 por cento dos norte-americanos estão descontentes com a caça aos imigrantes.
As rusgas da polícia de imigração e fronteiras (ICE) têm sido marcadas por imagens que chocam a opinião pública e mudaram a opinião de muitos eleitores que antes, durante a administração Biden, até defendiam o fecho da fronteira.
A taxa de aprovação de Donald Trump como presidente já esteve em níveis historicamente baixos, especialmente entre os eleitores de estados mais rurais, como o Iowa ou o Ohio. Foi isso que mostrou uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro. Então 66 por cento dos norte-americanos desaprovavam o governo de Donald Trump. O índice está entre os mais altos da série histórica para os dois mandatos do presidente.
Portanto, isto pode funcionar como incentivo à participação nestas eleições intercalares. Apesar de os democratas não terem uma liderança nacional capaz de alimentar muito entusiasmo.
Os eleitores dos EUA decidem os assentos da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os cidadãos também escolhem quem será governador ou governadora.
O xadrez político Atualmente, na Câmara dos Representantes há 218 republicanos e 214 democratas. Vários analistas consideram provável que os democratas conquistem a maioria dos assentos. "Seria uma surpresa se os democratas não conquistassem pelo menos a Câmara dos Representantes", afirmou um dos analistas à televisão norte-americana CBS no fim de outubro.
Há, no entanto, uma diferença entre uma maioria apertada e uma maioria real e funcional. Uma maioria mínima será de 218 cadeiras. Qualquer número acima de 240 é considerado bastante sólido nos padrões dos últimos anos.
Há, no entanto, uma diferença entre uma maioria apertada e uma maioria real e funcional. Uma maioria mínima será de 218 cadeiras. Qualquer número acima de 240 é considerado bastante sólido nos padrões dos últimos anos.
No Senado, atualmente há 53 republicanos, 45 democratas e dois senadores independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate de 50 a 50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente JD Vance. Projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nestas eleições.
Combates e resultados eventualmente inéditosNas eleições para o Senado, por exemplo, a luta eleitoral no Texas chama atenção, uma vez que as sondagens colocam o democrata James Talarico empatado com o rival republicano Ken Paxton. O democrata tem recebido apoio de elementos da família Bush, tradicionalmente republicana e de onde surgiram os presidentes George Bush e o filho George W. Bush. Há 32 anos que nenhum democrata consegue vencer uma eleição estadual de âmbito federal no Texas.
Nas eleições para governador, uma mulher negra poderá, pela primeira vez na história dos EUA, assumir o comando de um estado.
No Minnesota, a democrata Amy Klobuchar e a republicana negra Lisa DeMuth lutam pelo governo do estado. Já na Georgia, a democrata negra Keisha Lance Bottoms concorre ao cargo de governadora contra o republicano Rick Jackson.